O caminho

26 anos.
Alguns acontecimentos até caracterizam um antes e um depois.
Eu uma, eu outra.

Eu uma
(…………………….)
Eu outra

Mas não, nada se compara…

É como minhas roupas, cds, diários e sentimentos adolescentes.
Não me cabem mais. Faz tempo.

Estar grávida me faz sentir exatamente assim. Como se eu não me coubesse mais.

Estar grávida, casada, com casa e jabuti para cuidar. Pé de cacau e pimentão. Quintal.

Eu sou outra. Só posso ser outra. Nunca imaginei nada assim.

Prazer, eu sou a depois.
E ainda estou aprendendo a me conhecer.

Eu posso até ter casado e estar vivendo uma vida bem-bem gostosa. Mas é como se ainda assim houvesse uma vida que eu já vivi e ainda assim sou capaz de nutrir um certo carinho por ela e por algumas pessoas que a compunham. Existem alguns amigos de solteirice que dificilmente se encaixariam na minha rotina atual. Alguns casinhos, xavecos, charminhos, daqueles que nunca deixariam de ser casinhos, xavecos e charminhos, mas ainda assim são pessoas bacanas, que ora ou outra eu pergunto por onde será que andam e se – por onde andam -, andam bem.

Tentando desabafar

Entender 2013 tem sido muito difícil e doloroso para mim. Acho melhor buscar ajuda. 2014 começa com a necessidade de olhar profundamente para o passado. Nunca fui dessas que simplesmente segue em frente e abandona a bagagem. Vou carregando pedra por pedra, calejando ainda mais os pés já calejados. Foi um ano de muita solidão, de uma dedicação única e exclusiva que não me deu garantias, e no final mais me traiu e negligenciou do que qualquer outra antes já vivida. 2013 minha guarda baixou, vi entrar minha vida gente que eu não gostaria nem que passasse perto, se eu soubesse que seria assim antes. Sofri violências das mais sutis e achei que isso não poderia estar acontecendo comigo. Nunca mais deixo que falem qualquer besteira na minha frente sobre mulheres que foram violentadas e perdoaram seus violentadores. É mais difícil assumir o papel da vítima do que o papel do vilão. Inclusive muitas vezes esses papeis são mais fáceis de serem invertidos. A vítima se enxerga como a vilã e o vilão se enxerga como a vítima. Farejei de longe o medo e a insegurança, a ambição. Rompi com tudo, para a surpresa dos desavisados, das “vítimas”, já que nessa hora eu fui a “vilã”, como o escravo que se rebela contra o senhor. Confesso que gostaria muito de parar neste momento e fazer uma viagem longe de pazes com a vida e o mundo. Há tempos que eu não sei o que é contentamento. Não posso falar em anjos da guarda porque ainda sou sim muito abençoada, vide a vida que segue e que me leva para outras veredas, vide no finalzinho do segundo tempo alguém bastante especial surgir na minha vida e mudar tudo, me mostrando que nem sempre dá simplesmente para fugir, em alguns momentos é preciso ficar, embora tudo se torne ainda mais doloroso assim. Eu não consigo compreender 2013, mas estou bem mais cautelosa para 2014.