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Se alguém me perguntasse isso, eu responderia: somente se você voltar como saiu.
Essa, por incrível que pareça, não seria a primeira vez. Já voltei, na mesma época, há 3 anos atrás. Duas pessoas me disseram que as vezes é preciso regredir para pegar impulso, foi o que eu fiz em outra época, sai de Sampa e fui crescer em Santos. Foi onde eu adquiri na marra certas responsabilidades. Sem estudar, sem saber que faculdade escolher, minha única opção foi trabalhar, e foi assim durante 1 ano e meio quase. Fiz amigos, ganhei dinheiro, tive crises, felicidades, amores e dores. Até entrar na faculdade e voltar a morar sozinha.

E agora estou novamente numa encruzilhada. Meu coração quer ir pra casa. “Saudade é sua alma dizendo para onde quer voltar.” Mas eu tenho medo. Medo do perrengue que vai ser, apesar de me motivar perante a esse desafio e ser capaz de supera-lo. Muito medo da convivência que terei com a minha família, apesar de saber que serão pouquíssimas horas por dia, nem 8 horas, sendo que pretendo dormi-las. Medo de sair de casa 6h da manhã e voltar 21h, mas tanta gente que eu conheço faz igual, e acima de tudo faz direito e com muito bom humor. Medo disso fazer diferença daqui há algum tempo, mas daqui há algum tempo eu posso voltar. Posso voltar quando eu quiser.

É bom, muito bom, saber que temos pra onde retornar. O convívio familiar é foda. São 2 tipos diferentes de paz. A de morar sozinha com amigas e a de morar com sua família. Eu quero os prós dos dois lados.

Hoje eu estou assim, contemplativa.

Por que este livro? Porque vivemos numa sociedade extrovertida. O sistema produtor precisa da extroversão para vender produtos. E essa extroversão raia o delírio maníaco, falo mais claro: os valores de vida da sociedade de consumo são todos exteriores. Cultiva-se a aparência, o corpo, a exibição, o “status”, o ter, o automóvel, a roupa, os bens de consumo e as atitudes. Consagradas pelo sistema: beleza no que seja estentóreo, vigor para um trabalho extenuante, nenhuma pausa para reflexão, apenas preparação para ação, para agir primeiro e pensar depois. Trata-se de perturbar, ocupar, invadir o interior individual, o tempo, o trabalho, o comportamento individual, a determinação é coletivizar (uma nova escravidão?) a vida. O sistema deseja pessoas e detesta indivíduos. Quer o genérico, não o específico. Necessita de pessoas com muitas vontades e desejos permanentemente irrealizados pois serão potenciais consumidores em vez de indivíduos satisfeitos com o que tenham, conscientes, pessoas com opções, capazes da maior das liberdades, a interior, seres que consigam equilibrar a solicitação do mundo exterior com a demanda interior, a espiritual.

Artur da Távola

Frases da Lya

Todo mundo devia ser protegido de si mesmo, das suas decisões erradas, de dizer sim na hora do não, ou não na hora do sim.
Eu me enfio em minha cama, tapo a cabeça com o lençol, e chamo os meus fantasmas.
 Diante da dor a gente se inclina, a gente desvia – a gente respeita..

Esses são trechos do livro “O ponto cego”, da Lya Luft.

Minha cara

“O amor nos tira o sono, nos tira do sério, tira o tapete debaixo dos nossos pés, faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados, mas também com insuspeitada audácia e generosidade. E como habitualmente tem um fim – que é dor – complica a vida.
Por outro lado, é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância. Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir, porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes.
A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura. Às vezes é preciso recolher-se”. Lya Luft

Sábado, 22, pela manhã

Ando gostando de acordar cedo. Sábado pela manhã as coisas aqui são bem silenciosas. Levanto antes das 9h. Hoje por exemplo tomei suco, comi fruta e pão integral. Já fiz o café da mãe e as torradas de costume.

Já terminei de ler um livro, lavei alguma louça e não passou nem das 10h. Vou dançar, sair nessa chuva e o dia não estará nem na metade.

Há 5 meses atrás, na manhã de um domingo, eu não acordei cedo, porque na verdade nem dormi. Eu cheguei quase na hora que tenho gostado de acordar. Não aproveitei o último dia de vida do meu pai. Se ele tivesse aqui hoje, certamente teria levantado antes de mim e teria alguma companhia para passar essa manhã cinzenta, fria e chuvosa.

 Mas não está. Estamos eu, meus irmãos e minha mãe. E é isso que importa agora. Feliz 5 meses aí no céu, pai. Te amo todas as manhãs, tardes e noites. E de madrugada eu te amo apenas em sonho. Porque para a sua paz e descanso, eu tenho sido uma boa menina e evitado sair nesses horários.

O que sou eu?

Quem eu me tornei nesses últimos tempos? Uma pessoa assustadoramente desapegada do mundo. Não odeio, mas também não adoro. Cultivo aquela dúzia de amores, mas nem esses me abalam mais. Tudo é leveza.

Economia de palavras

Quis dizer muito, mas preferiu calar. O silêncio evita arrependimentos. Evita que ouvidos errados saibam sobre sentimentos certos.

Sábado o sol nascerá marcando 5 meses. Minha fase adulta nasceu prematura após o choque que foi a morte do meu pai. Quase 150 dias depois posso dizer que passei da fase de engatinhar. Já consigo dar trôpegos passos e respirar um ar mais puro. Aconteceu de tudo longe da presença física dele, aconteceu de eu consolidar minha armadura e trocar as folhas por concreto. Não há vento que abale minhas novas estruturas. Sejam eles bons, ou ruins. Tenho tanto em mente o que eu quero que o mundo externo tornou-se mero contribuinte para meus sonhos se realizarem. Do fazer das pedras do meu caminho meu castelo, eu vou seguindo mais cética do que nunca, mais agradecida do que antes, mais lúcida do que jamais imaginei ser. Cultivo grandes amores por seletas pessoas.. 1 ou 2 dúzias delas. Para essas meu eterno agradecimento.

Número um

Tenho medo de nunca mais sentir as mesmas coisas. Meu primeiro namorado, assim como todos os outros passaram, passou. Há uns 3 anos não o vejo e espero continuar assim por muito mais tempo, se não para todo o sempre. O passado já foi mais do que esquecido e enterrado. E isso não é papo de gente que tem assunto para resolver, é papo de gente que não quer revirar o que está bem guardado, de gente que não tem o menor interesse em sessão nostalgia ou ver um fantasma andando por aí.

Uma das conversas que tive com a Alê foi sobre nossos primeiros relacionamentos. O primeiro ‘eu te amo’ dito ao pé do ouvido, a primeira viagem, o primeiro apresentar alguém como seu namorado, a primeira visita a casa da sogra e outras primeiras coisas a mais.

Nunca mais senti o mesmo sabor. O dormir junto nunca mais se repetiu da mesma forma, aquela inocência graciosa da farra e da emoção de estar perto de quem você gosta. O andar de mãos dadas perdeu o sentido, perdeu até o motivo para existir. Depois do meu primeiro namorado, minhas mãos nunca mais sentiram falta de ninguém, elas são fiéis a algo que nem eu sei o nome (e não é ele, óbvio) e como se fosse uma traição qualquer elas se negam a se entrelaçar outra vez.

Filmes e sessão da tarde não tem mais cheiro de chuva e terra molhada. Comprar porcarias no supermercado já não me encantam tanto, malhar juntos nem pensar, beber cerveja no chão do quarto com amendoins espalhados, videogame e risadas ficaram esquecidos conforme os anos foram passando.

Acabaram-se as programações para o final de semana que começavam já na segunda-feira. Minhas sextas já não tem o mesmo clima de cansaço pós academia e descanso com cerveja. Nada, tudo se perdeu no desencanto dos amores que acabaram. Quando percebi que esse mundo cor de rosa era pura ilusão e relacionamentos terminam assim como começam. Quando percebi que aquele defeitinho minúsculo se transformaria em um monstro de sete cabeças e devoraria toda a minha emoção.

O dia em que me percebi oca por dentro, em que saquei que todo aquele amor havia acabado e questionei até se ele havia existido, eu morri um pouco. Deixei de ser criança e passei a ser humana. Descrente, muito descrente. Mas atrás do acreditar. Tanto é que tentei, não uma, mas duas, três, até quatro. Ainda tento, mas sem tanta vontade, sem tanto entusiasmo.

Porque confesso que sim, de cada amor eu herdei só o cinismo. E o mundo é mesmo um moinho, reduziu todas as minhas ilusões a pó. Meu primeiro suposto amor é doce porque eu ainda acreditava em príncipes e princesas. Acreditava em momentos especiais. Tudo tinha sabor de fruta mordida e amor tranquilo.

Hoje ando preferindo a tranquilidade das frutas a ser mordida por um amor.

081609160613

Domingão, sol, praia e amiga – parte II. A pele exposta ao sol das 9h da manhã até às 15h da tarde faz mal? Sem a devida proteção, sim. Mas nada que um protetor fator 8 seguido de um 15 e finalizado com o 30 (quando o sol já se encontra bem no meio do céu)  não resolva. A questão é que proteção é fundamental e eu me despi dela algumas vezes.

Distribui e assumo, hoje, com zero orgulho e muita coragem alguns eu te amos, já a Alê não. Contrária a mim, ela disse uma vez só na vida e nunca mais ousou repetir ou aceitar ouvir as três palavrinhas mais coloridas do mundo.

Confesso que me enganei, provavelmente não na primeira, na segunda ou na terceira. Ou talvez em todas. Errei com muita certeza na quarta e confundi esse sentimento tantas outras vezes na vida. Será que não teria evitado grandes problemas? Evitado ilusões, prolongado situações, me deixado levar.

Quando me dei conta, meu queixo caiu. Não é porque é ela quem me dá toda força do mundo, ou porque foi minha mola quando cheguei no fundo do poço ou tem reforçado todo esse momento de solitude, a questão é que essa atitude da Alessandra só me fez a admirar mais e mais (e mais um pouquinho).

A guria namorou uns 2 caras um bom tempo (ou péssimo tempo) e não mudou a sua opinião. Respondeu a eu te amos com uma resposta rápida e direta: “então, não, você não me ama”.

Estou tentando assimilar isso e mudar em um futuro (que espero que não seja) próximo. Tenho a total consciência que isso teria me evitado muitas dores de cabeça. Essas palavras me prenderam mais tempo a namoros falidos e a pessoas de personalidades duvidosas.

É muito mais fácil dar um tchau quando não se falou de amor, mesmo que sentido. Ficamos combinados assim, ninguém joga na cara de ninguém, quem amou mais ou menos, quem disse mais, quem disse menos. A gente sente e deixa quietinho, evita enganos e grandes banalizações. E no fim brigamos com o coração, que sentiu qualquer coisa esquisita e sem nome, e não com a língua, que falou mais do que a boca.

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