Águas dos céu e dos meus olhos. Sentei em um bar com a Thais, a pessoa mais racional que conheci em toda a minha vida, e falamos, já que a gente fala pelos cotovelos mesmo. Uma jukebox fuleira de trilha sonora, e a Augusta servindo de cenário. No auge da emoção que circulava entre nossos assuntos e nosso desejo mais sincero de honestidade, comentei que meu primeiro namoradinho (inho porque aos 14 anos a dimensão é outra) sofreu um acidente e está na UTI. Ao fundo, começou a tocar Jorge Ben, e Jorge Ben me lembra ele às vezes. Não resisti, chorei. Não como a chuva que nos molhou, mas lágrimas tímidas de alguém que foi surpreendida após 9 anos: meu coração está nas mãos. Sinto como se um grande amigo estivesse internado. Com uma intensidade diferente, somada a distância, e a falta de contato que a vida nos causou. É graças a um grupo criado no Facebook que sei das últimas notícias de sua recuperação. Uma cirugia aqui, outra ali. O irmão sendo otimista, a namorada forte o tempo todo. Não resisti, eu tinha que falar alguma coisa, estava tímida até então, engolindo tudo, digerindo com fé, esperança e medo as últimas novidades. Escrevi, porque eu só sei me expressar assim, talvez se fosse ao vivo eu apenas choraria, porque eu me enrolo todo nesse negócio de falar. A Thais incentivou: “Melhor dizer alguma coisa do que não dizer nada”. E eu escrevi de um blackberry palavras engasgadas. Nada demais. Sendo que minha única vontade era dar um abraço bem forte e pedir para que isso nunca mais se repita. Abraçar essa menina obrigada a ver o namorado – que foi atropleado – numa cama desacordado todos os dias. E que força, e que esperança, e que fé que ela tem. Jorge Ben tocava e lágrimas escorriam. Um abraço nos dois, eu gostaria. Quero que esse abraço saia logo do papel. Bonito é ver que nove anos se passaram, mas algumas pessoas simplesmente permanecem. Ele foi no velório do meu pai. E eu espero ir no casamento dele. Exijo um brinde: desejando muita saúde.