
Saudades de viver entre meus 14 e 17 anos, em que a presença dessa menina aí de cima era mais do que constante, era vital. Das nossas folias aqui em casa, da nossa balada de brigadeiro, onde até altas horas da madruga a gente fofocava protegida pela casa dos nossos pais, bebadas de tanto doce e demais porcarias.
Saudades quando nossos problemas eram os pseudo-amores mal resolvidos. E casos e mais casos. A gente achava que não, mas todos passaram. Tudo virou pó.
Saudades da fase pré vestibular. Do começo das épocas das baladas, dos showzinhos de hardcore que ela me carregava. Saudades das reuniões semanais, que passaram a ser quinzenais, mensais e hoje, por sorte, anuais.
Saudades das apostas infames, da inocência que nossos 16 anos nos guardavam. De ver ela dirigindo pela primeira vez, de ver ela indo embora pela segunda e agora, terceira vez.
Quando meu pai morreu, essa grande pequena menina saiu da atual cidade dela, Campinas, logo após dar o horário do estágio e veio dirigindo durante 3 horas até a minha casa, em Santos. Chegou com um envelope e uma foto, com palavras lindas escritas, passou umas 2 horas comigo, entre carinhos, companhia, palavras e até massagem nos pés, e depois foi embora, mais 3 horas de estrada.. Deve ter chegado por volta da 1h da manhã.
Nunca, absolutamente NUNCA, vou me esquecer dessa atitude. Fato que me emociona até hoje.
Nesse momento da minha vida, ando valorizando muito, mas valorizando pouco. O que isso quer dizer? Cultivo um amor incondicional, sem limites e dando tudo de mim, mas um amor direcionado a poucos, bem poucos. Não por economia de sentimentos, e sim por economia de energia. E nesse amor misterioso e gratuito, que mal cabe em mim mesma, essa florzinha está no topo, talvez por ser minha amiga mais antiga, que mais acompanhou minha vida e minha história. Mesmo distante, consegue estar sempre por dentro dos assuntos principais e mora comigo, vive em meu coração.
Minha Maria Amá(da), Maria Amália, a que corria dos relacionamentos, hoje casada, morando em Campinas com o namorido, toda mulherona, a que eu considerava minha menininha. A primeira a ir embora de casa, a primeira a voltar e depois ir novamente. Desde seus 17 anos, quando foi fazer turismo fora, me deu um orgulho sem tamanho. Desde então não parou mais.
Será assim para sempre, amiga. Para todo o sempre. Chorarei em todas as suas vitórias. E estarei presente em todas elas. No dia da sua formatura, no dia do seu casamento, quando nascer seus primeiros filhos, em todos os seus aniversários e em tudo mais que a vida nos reservará. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Porque amizade de verdade é que nem casorio: até que a morte nos separe. E como eu sou kardecista, nem a morte nos separará.
Eu te amo sem fim


