Gosto de sentir, de doer, de saber que este coração consegue estar machucado, mesmo vivendo e expondo sorrisos, buscando trabalho, construindo sonhos, focando em projetos. Entre tudo isso, quando eu paro de pensar nos livros que quero ler, na caminho que quero trilhar, no dia a dia que estou vivendo, o coração dá uma cambalhota, a cabeça pede um pouco de sono, um pouco de paz. Busco racionalizar tudo. Gosto mais ainda de perceber minhas próprias mudanças. Sou a contradição entre o racional e o emocional. Alguém que racionaliza e sente. As vezes troca, inverte, mas está sempre racionalizando, e sentindo, e racionalizando.. Pois bem, busco o significado e logo tento explicar a mim mesma que não devo e não posso ficar assim. Não tem cabimento. Eu sabia que isso acabaria. Talvez não dessa forma, mas de alguma outra, e essas poderiam ser piores. “Seja positiva, Fernanda”, eu me imploro. Doa, para que você também saiba que é humana. Suscetível a erros e acertos. A amores e ilusões. Enfim, a desilusões. Junte os cacos, que nem foram tantos assim, e não os cole, jogue fora. A vida por si só já cicatriza, conserta, reconstrói. O telefone que não vai mais tocar, vai doer. Mas ele já parou de tocar outras vezes, passou. Mude o toque para que não busque na música, a pessoa. Não deixe de acreditar, para sofrer basta estar vivo. Não queira passar ilesa a tudo isso. É história. Daquelas que daqui alguns anos você vai se divertir, contar rindo. Mesmo que seu desejo mais íntimo agora seja de pedidos de desculpas, de abraços, de dengos. Você sabia, sempre soube. Respire fundo. E uma história de cada vez, e dessas, somente uma vez. Uma segunda é burrice demais..
